O que diz o Evangelho sobre: Perda de pessoas amadas. Mortes prematuras

Escrito por: David Mukasey - 27/01/2021

21. Quando a morte ceifa nas vossas famílias, arrebatando, sem restrições, os mais

moços antes dos velhos, costumais dizer: Deus não é justo, pois sacrifica um que está forte e

tem grande futuro e conserva os que já viveram longos anos cheios de decepções; pois leva os

que são úteis e deixa os que para nada mais servem; pois despedaça o coração de uma mãe,

privando-a da inocente criatura que era toda a sua alegria.

Humanos, é nesse ponto que precisais elevar-vos acima do terra-a-terra da vida, para

compreenderdes que o bem, muitas vezes, está onde julgais ver o mal, a sábia previdência

onde pensais divisar a cega fatalidade do destino. Por que haveis de avaliar a justiça divina

pela vossa? Podeis supor que o Senhor dos mundos se aplique, por mero capricho, a vos

infligir penas cruéis? Nada se faz sem um fim inteligente e, seja o que for que aconteça, tudo

tem a sua razão de ser. Se perscrutásseis melhor todas as dores que vos advêm, nelas

encontraríeis sempre a razão divina, razão regeneradora, e os vossos miseráveis interesses se

tornariam de tão secundária consideração, que os atiraríeis para o último plano.

Crede-me, a morte é preferível, numa encarnação de vinte anos, a esses vergonhosos

desregramentos que pungem famílias respeitáveis, dilaceram corações de mães e fazem que

antes do tempo embranqueçam os cabelos dos pais. Freqüentemente, a morte prematura é um

grande benefício que Deus concede àquele que se vai e que assim se preserva das misérias da

vida, ou das seduções que talvez lhe acarretassem a perda. Não é vítima da fatalidade aquele

que morre na flor dos anos; é que Deus julga não convir que ele permaneça por mais tempo

na Terra.

É uma horrenda desgraça, dizeis, ver cortado o fio de uma vida tão prenhe de

esperanças! De que esperanças falais? Das da Terra, onde o liberto houvera podido brilhar,

abrir caminho e enriquecer? Sempre essa visão estreita, incapaz de elevar-se acima da

matéria. Sabeis qual teria sido a sorte dessa vida, ao vosso parecer tão cheia de esperanças? Quem vos diz que ela não

seria saturada de amarguras? Desdenhais então das esperanças da vida futura, ao ponto de lhe

preferirdes as da vida efêmera que arrastais na Terra? Supondes então que mais vale uma

posição elevada entre os homens, do que entre os Espíritos bem-aventurados?

Em vez de vos queixardes, regozijai-vos quando praz a Deus retirar deste vale de

misérias um de seus filhos. Não será egoístico desejardes que ele aí continuasse para sofrer

convosco? Ah! essa dor se concebe naquele que carece de fé e que vê na morte uma

separação eterna. Vós, espíritas, porém, sabeis que a alma vive melhor quando

desembaraçada do seu invólucro corpóreo. Mães, sabei que vossos filhos bem-amados estão

perto de vós; sim, estão muito perto; seus corpos fluídicos vos envolvem, seus pensamentos

vos protegem, a lembrança que deles guardais os transporta de alegria, mas também as vossas

dores desarrazoadas os afligem, porque denotam falta de fé e exprimem uma revolta contra a

vontade de Deus.

Vós, que compreendeis a vida espiritual, escutai as pulsações do vosso coração a

chamar esses entes bem-amados e, se pedirdes a Deus que os abençoe, em vós sentireis fortes

consolações, dessas que secam as lágrimas; sentireis aspirações grandiosas que vos mostrarão

o porvir que o soberano Senhor prometeu. - Sanson, ex-membro da Sociedade Espírita de

Paris. (1863.)


Retirado do Livro: O Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec


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