Ante a morte de um ente querido

Escrito por: David Mukasey - 27/01/2021

Como conviver com o vazio imenso gerado pela perda de um ente querido? Como aceitar uma separação sem fim de alguém que muito amamos?
São estas as perguntas que povoam com frequência as mentes dos que se viram surpreendidos pelo fenômeno da morte, ceifando amigos e parentes. São criaturas que, até então, mantinham a chama da esperança em uma permanência mais longa da pessoa amada em sua companhia. Todavia, de inopino, amargaram a sua partida.
Inegavelmente, é uma dor imensa; e difícil torna-se a tentativa de mascarar o sofrimento e conter as lágrimas. No entanto, não se pode esquecer de que a inconformação não apenas causa sofrimento nos que permanecem no corpo, mas também, no ente que partiu.

Em O Livro dos Espíritos, questão 936, Allan Kardec interrogou a Espiritualidade a respeito do assunto:
Como é que as dores inconsoláveis dos que sobrevivem se refletem nos Espíritos que as causam?

“O Espírito é sensível à lembrança e às saudades dos que lhe eram caros na Terra; mas, uma dor incessante e desarrazoada o toca penosamente, porque, nessa dor excessiva, ele vê falta de fé no futuro e de confiança em Deus e, por conseguinte, um obstáculo ao adiantamento dos que o choram e talvez à sua reunião com estes.”

No entanto, não se pode olvidar de que a inconformação causadora de tanto sofrimento é fruto do desconhecimento a respeito do fenômeno.
Ainda predomina, na grande maioria dos habitantes do Planeta, a ignorância a respeito de sua dupla constituição – espírito e matéria. Nessa condição, é comum direcionar-se toda a atenção para a vida material, esquecendo-se de que ela é transitória, e ingenuamente desconsidera-se a vida espiritual e sua perpetuidade.
O “conhecereis a verdade e a verdade vos libertará”, conforme o ensinamento do Mestre Jesus, aplica-se muito bem ao contexto, pois, o conhecimento a respeito da interrelação, vida, morte e espiritualidade, libertará, definitivamente, a Humanidade desse desnecessário e prejudicial sentimento de perda.
Na verdade, a morte não representa perda nem separação sem fim, mas apenas o retorno ao mundo de origem. Lá se dará o reencontro com os que nos antecederam e com os que mais cedo ou mais tarde também para lá retornarão.
Perda é um rótulo destituído de sentido, pois que até mesmo as criaturas que são colocadas sob a nossa guarda, as quais chamamos filhos, não nos pertencem, pertencem a Deus. Deus a qualquer momento poderá chamá-los de volta; e nós, embora sentindo a dor da saudade, devemos ser gratos pelo tempo em que os tivemos ao nosso lado.
Dissertou muito bem sobre o assunto Gibran Khalil Gibran em O Profeta:
Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da Vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não são de vós. E embora convivam convosco, não vos pertencem. Podeis outorgar-lhes o vosso amor, mas não vossos pensamentos. Porque eles têm seus próprios pensamentos.

Portanto, da mesma forma que não sofremos perda quando devolvemos um objeto valioso a alguém que no-lo emprestou, não devemos imaginar que sofremos perda com a morte de um ente querido. Sofremos apenas a dor da saudade, que será diluída sob a ação da esperança no reencontro, que certamente acontecerá.
Em momento tão difícil, como o que se relaciona com o retorno de um ente querido à Espiritualidade, não esqueçamos o exemplo de Maria, a mãe de Jesus: de olhos fitos no filho amado, que nada fizera para merecer morte tão ignominiosa, serenamente chorava na esperança de que Ele apenas retornava ao seu verdadeiro Pai.

F. ALTAMIR DA CUNHA
Reproduzido na integra a partir do site: http://www.sebemnet.org.br/index.php/espiritismo/artigos-item-menu/536-ante-a-morte-de-um-ente-querido

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